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A atual crise no Líbano ocorrida em agosto passado, suas intercorrências políticas, sociais e, o mais importante, as milhares de vidas perdidas foi assunto desta primeira etapa do último dia do Primeiro Fórum Latino-Americano sobre Segurança Humana para os Direitos Humanos e XII Congresso Internacional em Direitos Humanos. Também um mal social que ainda insiste em permanecer na cultura brasileira, o racismo, foi debatido e amplamente combatido.

A Primeira Sessão Temática foi presidida por Patrícia Medina, professora doutora e pesquisadora do Mestrado em Prestação Jurisdicional e Direitos Humanos da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e da Escola Superior da Magistratura Tocantinense (ESMAT), Brasil; a Segunda, pelo senhor Pedro Nelson de Miranda Coutinho, desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins, Brasil e egresso do mestrado em Prestação Jurisdicional e Direitos Humanos. Nesta manhã, o evento foi coordenado por Gustavo Paschoal, professor doutor e coordenador do Mestrado em Prestação Jurisdicional e Direitos Humanos.

Na primeira palestra do dia, a senhora Maria Cotinha Bezerra, procuradora geral de justiça do Estado do Tocantins, membro efetivo do Ministério Público do Estado do Tocantins, Brasil, explanou o contexto histórico do preconceito racial no Brasil e suas consequências sociais, e apresentou soluções para o combate direto desse crime social. Falando de suas experiências de vida, a procuradora lembrou que um dos mecanismos de combate ao racismo é a luta pelos espaços, pela formação profissional e o emproderamento de jovens negros brasileiros. “A minha função é buscar o equilíbrio da igualdade. Considero-me privilegiada como pessoa, pois alcancei um posto de decisão. Sinto que tenho a obrigação, não só como membro do Ministério Público, mas também como pessoa, de dar o melhor de mim, de participar ativamente. A partir do momento em que estou aqui na condição de negra, oriunda de classes adversas, posso mostrar que sou capaz, apesar de fazer parte de uma minoria; mas ainda assim represento uma minoria capaz de fazer a diferença”, afirmou.

A segunda parte foi embasada por um drama internacional ocorrido de maneira incrivelmente surreal, filmado por diversos ângulos, que causou dezenas de mortes ,  milhares  de feridos e intensificou conflitos globais. Em sua fala, Hicham Hamdam, embaixador do Líbano, ressaltou que o acidente ocorrido em 4 de agosto não foi mero incidente. “Os cidadãos civis não sabiam o que estava se passando no porto. O local e os arredores foram transformados num espaço de guerra. Precisamos que a população mundial considere que o povo libanês quer justiça. Estamos chamando todos os países para obterem justiça aos povos libaneses. O que ocorreu no Líbano pode acontecer em qualquer lugar, e será lembrado pelas gerações futuras”, frisou.

Na sequência dessa abordagem , foi proferida a segunda palestra da manhã, “Valores de Direitos Humanos no Cenário Pós-Pandemia-Covid-19: Desafios e Oportunidades”, ministrada por Merhi Rima, doutora em Mídia Global e Comunicação, pela Universidade de Londres; professora de Mídia e Comunicação na Universidade do Líbano; consultora de Direitos Humanos, na Universidade de Harvard. Ela reforçou que os impactos do fato ocorrido não foi e não está sendo registrado pelos meios de comunicação da forma que precisa ser e frisa “O estrangulamento do Líbano é uma guerra econômica. Temos de continuar, temos de lutar pelos direitos. Trazer justiça para os mortos e  resgatar o país."

Texto: Wherbert Araújo – Comunicação Esmat

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