A atual conjuntura brasileira  analisando o papel das forças de segurança, como também os avanços percebidos após a implementação da Justiça Restaurativa em comarcas do Tocantins foram os temas do último Painel do curso Segurança Pública e Direitos Humanos: Um Olhar Restaurativo. O curso encerrou na tarde desta terça-feira (11).

Abrindo as palestras, o idealizador do curso, o magistrado Antônio Dantas de Oliveira Júnior, traçou uma análise reflexiva da questão da promoção dos Direitos Humanos no contexto da atualidade. "Deixo registrado aqui a importância de estarmos participando deste curso. Em um ambiente de tanta conturbação, de tanta violência que estamos vendo no mundo e no Brasil, a Justiça Restaurativa juntamente com direitos humanos e segurança pública se entrelaçam para abrir um horizonte maior, um leque maior, para que se possa entender o que está se passando em nossa sociedade, porque ela está doente. E a sociedade precisa ser restaurada, precisa ser recuperada. Este curso serve para que se tenha uma análise aprofundada do que está ocorrendo na atualidade”, lembrou.

Na primeira palestra, a professora especialista Tainã Nunes Quixabeira apresentou o contexto histórico na implementação da Justiça Restaurativa no Tocantins. Ela ressaltou a importância da construção de vínculos para que se forme um diálogo coletivo acerca do tema. “O círculo de construção de paz é, sobretudo, um lugar de construção de relacionamentos com as pessoas, e não pelas pessoas. Esses relacionamentos são construídos com a sua história, com a minha história, com a nossa história, sem medo de nos mostrarmos vulneráveis, porque é a partir dessa construção do com, não do para, nem pelas pessoas, que se dá a mágica, é a partir disso, da construção coletiva, que a conexão acontece”, afirmou.

A segunda palestrante, a professora especialista Eliene Diniz da Silva, apresentou o exemplo da implementação do círculo de construção de paz no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) em Araguaína, no Norte do Estado. "Como facilitadora não existe conflito muito complexo que não possa ser resolvido, desde que as partes queiram. Todos podem ser resolvidos e alcançarem certo equilíbrio entre vítima e ofensor. Então, eu Eliene, como pessoa, como ser humano, precisei me desconstruir em algumas áreas da minha vida e me reconstruir para me conectar com o outro sem julgamento. A minha vida pessoal, familiar e como pessoa mudou bastante. Aprendo todos os dias um pouco, digo que os círculos de construção de paz ajudam o outro assim como me ajudam”, afirmou.

Durante cerca de dois meses, os oito painéis abordaram diversos temas alusivos à questão da Justiça Restaurativa e da Cultura de Paz e contaram com centenas de participantes de diversos órgãos ligados às Forças de Segurança e Direitos Humanos no Tocantins e nos demais estados do País.

Texto: Wherbert Araújo – Comunicação Esmat

Francielly Oliveira – Estagiária em Comunicação Social - Jornalismo