Resumo
O presente estudo aborda a reflexão sobre a (in)visibilidade das mulheres com deficiência ante as políticas públicas e sociais no tocante ao enfrentamento à violência de gênero na realidade brasileira, visto que as mulheres com deficiência são (in)visibilizadas e excluídas desde a construção da sociedade e nos principais marcos normativos de leis que edificam as ações de enfrentamento à violência de gênero em contextos internacionais e brasileiro. Diante disso, a revisão de literatura nos diz que essas mulheres sempre foram pessoas existentes das sociedades passadas e da presente moderna, sendo oprimidas e violentadas pelos marcadores sociais da diferença, desde raça, gênero, classe social, deficiências e outros; e são pessoas constituídas de direitos e de deveres também, como bem destaca a Constituição Federal de 1988, que nos equipara diante dos direitos civis, políticos e principalmente os sociais a todos os brasileiros. Perante o exposto ao contexto de exclusão, de silenciamento e de (in)visibilidade das mulheres com deficiência, a ferramenta analítica da interseccionalidade nos permite apresentar por que as mulheres com deficiência são (in)visibilizadas, têm seus direitos negligenciados, assim como por que seus corpos são oprimidos e violentados na sociedade patriarcal, machista, sexista, capacitista e capitalista moderna, mas a interseccionalidade nos apresenta também vários caminhos com possibilidades para o processo de inclusão e de equidades dessas mulheres em convívio social. A metodologia que fundamenta este estudo é em viés de revisão dos acervos de documentos, das leis, assim como da revisão de literatura e do acesso aos podcasts no YouTube sobre o tema em questão.Referências
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