
“O grande diferencial da atividade de inteligência é a antecipação”, destacou o assessor de inteligência da Secretaria de Segurança do Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício Viegas Pinto, ao falar sobre “Identificação e Avaliação de Mensagens Hostis: um protocolo para a atuação da inteligência no ambiente informacional”, palestra de encerramento da programação do primeiro dia do VI Encontro Nacional de Inteligência do Poder Judiciário. O evento segue até esta quinta-feira (27/3), no auditório do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO).
A palestra de Viegas abordou a questão da inteligência não só ambiente físico, mas também no ambiente informacional, principalmente em relação às mídias sociais.
“Nós vivemos em um ambiente hiperconectado, as pessoas hoje em dia publicam mensagens e essas mensagens circulam rapidamente. Algumas, muitas vezes, podem afetar a segurança institucional”, citou.
Como identificar rapidamente, avaliar, interpretar e trabalhar essas mensagens foram questões abordadas durante a explanação do assessor de inteligência do STF, que na oportunidade trouxe conceitos de mensagens hostis, caracterizadas pela promoção, incitação ou glorificação de ações violentas intencionalmente orientadas contra um determinado grupo, ou indivíduo, e características do ambiente informacional.
O ciclo de radicalização ideológica também foi outro ponto ressaltado pelo palestrante, que indicou que essa fase pode ser encontrada em ambientes hostis. Segundo Viegas, esse ciclo de radicalização é formado pela predisposição, exposição à ideologia extremista, transformação da identidade social, adesão à ideologia extremista, promoção da ideologia extremista, disposição para agir em prol da ideologia e prática da ação violenta.
Inteligência de Segurança Pública e Políticas Públicas
Antes da palestra de encerramento da programação do dia, o delegado da Polícia Civil do Distrito Federal e subsecretário de Gestão da Informação da Secretaria de Segurança Pública do DF, George Estefani de Souza Couto, falou sobre “Inteligência de Segurança Pública e Políticas Públicas.”
Na ocasião, o palestrante abordou o papel da inteligência de segurança pública numa camada de produção de conhecimento mais político-estratégico e como esse trabalho pode ser útil na construção de políticas públicas eficazes.
O delegado trouxe um diagnóstico e uma visão um pouco diferente do que se tem de Inteligência de segurança pública, cuja perspectiva é voltada à questão da produção de conhecimento tático-operacional, de operações e de prisões, construindo conceito para promoção da eficiência que a inteligência pode, em nível político-estratégico, auxiliar o desenvolvimento de políticas públicas dos governos, a partir da análise dos seus próprios dados.
E falou sobre o impacto disso, considerando um cenário de mudança de criminalidade e como é possível se adaptar num cenário futuro que impacte naturalmente no funcionamento da Segurança Pública e do Poder Judiciário.
“Existe um processo de migração criminal muito claro, muito evidente, em que a gente sai de uma criminalidade violenta para uma criminalidade menos violenta, muito voltada a fraudes”, disse o palestrante, que destacou também a preocupação com o crescimento silencioso do crime organizado no País.
“Analisar a conjuntura é muito importante no processo de percebermos onde estamos, exatamente para que a gente possa elaborar, inclusive, cenários de onde a gente pode estar", ressaltou o delegado.
A análise de cenários é fundamental, porque isso impacta naturalmente nos modelos de construção do Estado.
Confira a programação do 2º dia do evento aqui.