Copedem 2026 encerra programação com debates sobre Justiça, Tecnologia e Saúde

Foto: Ednan Cavalcanti

O Congresso Copedem 2026 foi encerrado nesse sábado (28/3), em Praia do Forte, na Bahia, após três dias de programação dedicados a debates sobre saúde, tecnologia, desenvolvimento sustentável e os impactos dessas agendas sobre o Sistema de Justiça. No último dia, a programação reuniu painéis sobre produtividade, inteligência artificial, regulações de risco, fraudes na saúde suplementar, judicialização, protocolos assistenciais, segurança energética e transformação da indústria automotiva, antes do painel final de encerramento, “Uma visão da Justiça brasileira”.

No fechamento do evento, o presidente do Colégio Permanente de Diretores de Escolas Estaduais da Magistratura e diretor geral da Escola Superior da Magistratura Tocantinense (Esmat), desembargador Marco Villas Boas, afirmou que o encontro cumpriu um papel que ultrapassou o formato tradicional de um Congresso.

“(...) quando declarei aberto este Congresso, disse que esperava que ele fosse mais do que um evento. Que fosse uma conexão que permanece. Agora, ao encerrar o Copedem 2026, posso afirmar com convicção: foi exatamente isso”, declarou.

Segundo o desembargador, o que se construiu não se resume ao cumprimento de uma pauta temática, mas a um processo coletivo de escuta, formulação e troca entre diferentes áreas do conhecimento.

“O que vivemos aqui, neste espaço onde a Bahia acolheu com sua generosidade característica o melhor do pensamento nacional, foi muito mais do que uma programação cumprida. Foi um processo. Uma construção coletiva feita de perguntas corajosas, de respostas honestas, de silêncios atentos e de debates que não terão fim quando cruzarmos a porta deste hotel”, afirmou.

Temas do presente, compromisso com o futuro

Ao revisitar o conteúdo debatido no Congresso, o presidente do Copedem reforçou que os eixos escolhidos para a edição de 2026 foram tratados em chave concreta, vinculados à responsabilidade pública e institucional.

“Falamos de saúde – não apenas como ausência de doença, mas também como condição fundamental de dignidade humana. Falamos de tecnologia – não como fim em si mesma, mas como meio a serviço de pessoas e de comunidades. Falamos de desenvolvimento sustentável – não como slogan, mas como responsabilidade concreta diante das gerações que virão”, disse.

A programação da tarde refletiu essa variedade de temas. O primeiro painel abordou “A nova era da produtividade: como a IA transforma os negócios e nossa rotina”, com participação de Henrique Coelho, Chief AI Officer da Serasa Experian. Em seguida, o Congresso tratou de inteligência artificial no Judiciário e de regulações de risco e tecnologia, com falas do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do STJ, e do professor Bruno Bioni, diretor da Data Privacy Brasil.

Na sequência, a pauta se voltou para fraudes na saúde suplementar, com a diretora jurídica da CNseg, Glauce Carvalhal; para os impactos da ADI nº 7.265 sobre os processos judiciais em andamento e sua aplicação às novas demandas envolvendo a saúde suplementar, com Marcos Ottoni, diretor jurídico da CNSaúde; e para o painel “Da inovação à prática: tecnologia, protocolos e saúde baseada em valor”, com Cássio Ide Alves, diretor técnico médico da Abramge.

A reta final do dia ainda reuniu debates sobre segurança jurídica como pilar da segurança energética, com José Eduardo Barros, diretor jurídico geral da AXIA Energia, e sobre a transição para a mobilidade elétrica e o desafio da segurança jurídica: regulação e problemas jurídicos emergentes, com Aldo Filho, supervisor jurídico da BYD Brasil.

Encerramento com reflexão sobre os limites da judicialização

A programação final do Congresso contou com o painel de encerramento “Uma visão da Justiça brasileira”, com participação do ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ); do ministro Benedito Gonçalves, também do STJ e diretor geral da Enfam; do presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA), desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano; e do desembargador Marco Villas Boas, presidente do Copedem.

O momento fechou uma edição marcada pela presença de magistrados(as), especialistas, pesquisadores(as) e representantes de diferentes instituições públicas e privadas em torno de temas estratégicos para o presente e ao futuro da magistratura.

Em sua fala, o ministro João Otávio de Noronha defendeu uma reflexão sobre os limites da judicialização e os efeitos da transferência de decisões de política pública para o Poder Judiciário.

Na sequência, o ministro Benedito Gonçalves retomou a reflexão chamando a atenção para a necessidade de equilíbrio entre acesso à Justiça e respeito aos limites constitucionais de atuação de cada Poder.

“O Judiciário tem cumprido o papel, acesso à Justiça está no artigo 5º da Constituição, mas saber o limite da sua competência”, disse. 

Para o diretor geral da Enfam, a reflexão lançada no encerramento do Congresso deve ser levada por todos os segmentos do Sistema de Justiça. O debate também foi acompanhado por uma manifestação do presidente do TJBA, desembargador José Edivaldo, que parabenizou o desembargador Marco pela escolha da Bahia como sede do encontro e destacou a qualidade da programação.

“Agradecer pela excelência do evento, evidentemente, a escolha do tema tão atual e palpitante, pela excelência dos(as) palestrantes”, afirmou.

Legado que permanece

Ao encerrar oficialmente o Congresso, o presidente do Copedem, desembargador Marco, voltou a defender o diálogo como valor institucional e humano central para a construção de respostas públicas mais consistentes.

“Saio daqui mais convicto do que antes de que o diálogo — o diálogo genuíno, aberto, disposto a ser surpreendido — é a ferramenta mais poderosa que temos. Não a inteligência artificial, por mais sofisticada que seja. Não o dado, por mais preciso que seja. Mas o encontro entre mentes que pensam com liberdade e corações que se importam com o resultado”, comentou.


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